Mais educação ou mais desperdício?: evidências quase experimentais
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Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
Resumo
Entre os critérios estabelecidos na ocasião, foi definido que escolas com mais de 50% de seus alunos registrados no Bolsa Família teriam prioridade no processo de mobilização e inscrição. Esse critério não foi respeitado por muito tempo, mas permitiu explorar um experimento natural no curto prazo, dado pela descontinuidade da priorização para participação no Mais Educação entre as escolas que entraram no programa em 2012, comparativamente àquelas que não entraram até 2014 (período que temos dados disponíveis). Primeiramente, realizamos testes de manipulação na variável que definia a priorização das escolas para participarem do Mais Educação, i.e., o percentual de alunos das escolas no Bolsa Família. Os resultados de descontinuidade na densidade ao redor do threshold de priorização mostraram não haver manipulação dessa variável para escolas de ensino infantil e do ensino médio. Mas observamos alguma evidência nesse sentido para escolas do ensino
fundamental. Entretanto, suspeitamos que esse resultado seja algum ruído ou resultado de arredondamento, pois as escolas não eram proibidas de ingressar no programa. A priorização se deu no sentido de uma campanha e um processo de mobilização para que essas escolas participassem. Mas muitas escolas que não cumpriam os requisitos entravam no programa se mostrassem interesse e recorressem ao Ministério da Educação.