Um olhar sobre a face feminina da velhice
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Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
Resumo
O Brasil está se tornando um país envelhecido. Nos últimos anos a expectativa de vida tem se tornado cada vez maior, com isso a população com mais de 60 anos, considerada idosa, vem aumentando de forma crescente, atingindo em 2010 o número de 20,5 milhões de pessoas, segundo o Censo Demográfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, 2010.
Dentre as características presentes no processo de envelhecimento da população do país, destaca-se a “feminilização” da velhice. As mulheres idosas são maioria dentro do segmento idoso e quanto mais envelhece a população, mais se percebe a presença feminina. Existe um consenso quanto aos impactos deste cenário, que impõe demandas importantes para o sistema brasileiro de proteção social, notadamente para as políticas da Seguridade Social – Assistência Social, Saúde e Previdência Social.
Em que se pese ser a velhice vivenciada de maneira diferenciada pelas pessoas, as diferenças existentes não são somente quanto ao sexo. Dizem respeito ao gênero, isto é, aos diferentes papéis e características que cada um apresenta nas relações sociais. Nesse sentido é preciso olhar para o envelhecimento com esse olhar.
No país se destacam, no campo da Seguridade Social, significativos avanços quanto a proteção social às pessoas idosas. Destaca-se a cobertura previdenciária estimada em aproximadamente 81% dos idosos; o acesso universal às políticas de saúde; os serviços e benefícios da assistência social – o Benefício de Prestação Continuada – BPC – que tem contribuído para a alta cobertura e garantia de renda dos idosos brasileiros.
No entanto, muitos desafios ainda restam, e precisam ser superados. Preocupa a questão do necessário papel do Estado para a concretização de sua primazia no cuidado aos idosos, sobretudo os frágeis (muito idosos – com 80 anos e mais) e os dependentes. Dada as grandes transformações pelas quais as famílias vivenciaram ao longo dos últimos anos, a exemplo da diminuição do número de filhos, a entrada da mulher no mercado de trabalho e os novos e diferenciados arranjos e composições, a ampliação de serviços, a garantia de qualidade e de acesso às políticas sociais, além da discussão da questão do gênero tornam-se inadiáveis.