XI Prêmio SOF de monografias, 2º menção honrosa: Dificuldades na adoção do orçamento por competência no Brasil: estudo comparativo a partir de experiências em países Anglo-saxônicos
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Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
XI Prêmio SOF de Monografias
XI Prêmio SOF de Monografias
Resumo
Aspecto cerne do processo de convergência da contabilidade pública
brasileira às Normas Internacionais de Contabilidade Aplicadas ao Setor
Público (IPSAS – acrônimo em inglês) residiu na adoção do regime de
competência para registro das operações contábeis. Contudo, países de
origem anglo-saxônica têm avançado, também, para adotar o referido
regime para questões orçamentárias, o que se convencionou denominar
orçamento por competência. Reconhecido o regime de competência como
o método que melhor reflete o desempenho econômico no resultado do
exercício, os relatos dos países que o adotaram em matéria orçamentária
apontam inúmeras dificuldades (aumento da complexidade, pouco apoio
parlamentar etc.), conquanto destaquem inúmeras vantagens (melhora da
accountability, reconhecimento dos custos envolvidos etc.). Neste sentido,
o presente estudo objetivou avaliar se há viabilidade técnica para adoção
do orçamento por competência também no Brasil, tendo em vista que o
país iniciou seu processo de convergência internacional e adotou a
chamada contabilidade patrimonial. A metodologia foi considerada de
ordem qualitativa, exploratória e bibliográfica. Para realização da
pesquisa, adotou-se comparar as experiências dos países de vanguarda do
assunto, tendo por base análise de conteúdo do material coletado
(documentos oficiais, sites de pesquisa, artigos etc.). Para facilitar os
exames, as experiências foram catalogadas em termos das seguintes
variáveis: comprometimento político (CP), capital humano (CH),
sustentabilidade a longo prazo (SLP) e política macroeconômica (PM). A
amostra foi configurada a partir do número de jurisdições internacionais
com maior número de estudos sobre o assunto nos últimos 20 anos (8
países; 32 estudos internacionais), resultando em 5 países: 2 do continente
americano (Estados Unidos e Canadá), 1 da Europa e 2 da Oceania
(Austrália e Nova Zelândia), sendo este último, reconhecidamente como de
2
vanguarda na temática. Os resultados evidenciaram que os países
pesquisados enfrentaram dificuldades e apuraram resultados ambientais e
técnicos semelhantes durante este processo, sobretudo, no que tocante ao
ambiente político como agente moroso (desvantagem) e uma maior
transparência e accountability pública (vantagem). Em comparação ao
Brasil, as condições para adoção da nova modelagem se mostraram pouco
satisfatórias ante aos exames dos atributos analisados (comprometimento
político, capital humano, sustentabilidade a longo prazo e política
macroeconômica). Ademais, observou-se como principal contribuição do
estudo, a identificação dos aspectos que podem ou não contribuir à
implementação do orçamento por competência (variáveis CP, CH, SLP, PM),
assim como a posição na qual se encontra o Brasil frente a eles. No que
concerne às limitações, destaca-se a pouca difusão das experiências por
parte dos próprios países envolvidos na pesquisa.