Promovendo a aplicação de abordagens de gênero nas avaliações realizadas pela administração pública brasileira
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Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
Resumo
Este policy paper analisa a ausência de uma abordagem sistemática de gênero nas avaliações de
políticas públicas conduzidas pela administração pública brasileira. Apesar de o país ter avançado na
institucionalização da cultura avaliativa desde meados dos anos 2000, a perspectiva de gênero
permanece ausente ou marginal em grande parte das avaliações realizadas no nível federal, estadual
e municipal. O Brasil figura entre os seis países da América Latina que não apresentam evidências
consistentes de adoção da perspectiva de gênero em seus sistemas nacionais de avaliação (ONU
Mulheres, 2023). Essa lacuna compromete a qualidade, a equidade e a efetividade das políticas
públicas, e contradiz compromissos internacionais firmados desde a IV Conferência Mundial sobre a
Mulher, realizada em Pequim em 1995, onde o mainstreaming de gênero foi adotado como estratégia
prioritária. Em um contexto marcado por desigualdades de gênero profundas e persistentes, ignorar
essa dimensão na avaliação de políticas públicas significa reproduzir injustiças históricas e
comprometer o desenvolvimento sustentável.