Etnodesenvolvimento e a inserção de populações indígenas em arranjos produtivos locais o camarão potiguara da Paraíba
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Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
Resumo
Este artigo consiste em um estudo de caso da carcinicultura dos Potiguara da Paraíba com o objetivo de compreender a inserção de comunidades indígenas em arranjos produtivos locais sob a ótica do etnodesenvolvimento. A proposta de um estudo de caso se deu com a finalidade de analisar o fenômeno sem o isolar de seu contexto envolvente, permitindo compreender o cultivo do camarão dentro da estrutura simbólica desta comunidade tradicional. Para tanto, a pesquisa foi dividida em uma etapa de pesquisa bibliográfica e uma etapa de trabalho de campo, cuja metodologia aplicada foi a de observação participante. Dessa forma, foi possível compreender o formato do arranjo produtivo da carcinicultura Potiguara, suas implicações na estrutura social, política e cultural desse povo que envolve, ademais do ciclo produtivo, uma etapa de regularização que tem implicações determinantes para a atividade. Além da importância histórica do camarão para os Potiguara, que em tupi significa ‘comedores de camarão’, o seu cultivo em cativeiro se incorpora a organização das aldeias como uma das atividades de maior relevância social e econômica, representando um desafio, para indígenas e agentes públicos, no tocante ao direito a autonomia dos povos originários e a práticas sustentáveis.