TRIBUTAÇÃO, DESENVOLVIMENTO E FEDERALISMO: A DINÂMICA DO NOVO IVA BRASILEIRO
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Resumo
Desde o surgimento do federalismo no Brasil, um país com dimensões continentais e
disparidades econômicas regionais significantes, um processo do tipo pendular tem sido
adotado em termos de descentralização/centralização política, embora a descentralização fiscal
tenha sido mantida, em maior ou menor grau. Esta pesquisa analisa os efeitos da recente
Reforma Tributária do Consumo brasileira no atual pacto federativo, contextualizando o tópico
por meio de uma análise comparativa da tributação de países em diferentes estágios de
desenvolvimento, considerando que as repercussões da Reforma no sistema federalista estão
relacionadas ao desenvolvimento econômico do País. Em seguida, com base nos aspectos
teóricos do federalismo e sua trajetória brasileira, os impactos da Reforma no pacto federativo
corrente são estudados, incluindo, em especial, a modelagem da dinâmica da partilha de receita
entre os entes subnacionais do novo IVA introduzido pela Reforma, chamado Imposto sobre
Bens e Serviços (IBS). O IBS será arrecadado pelo princípio do destino, substituindo os atuais
ICMS estadual e ISS municipal, resultando em uma nova matriz horizontal de receitas entre as
Unidades Federadas (UFs). A capacidade potencial de arrecadação do IBS de cada UF é
estimada por meio de modelos econométricos, considerando inclusive os efeitos da Reforma
sobre o crescimento econômico, e o resultado é comparado com a soma das arrecadações
correntes de ICMS e ISS, sugerindo ganhos em termos redistributivos de receita, porém
indicando também algumas situações particulares que podem gerar tensões federativas.
Entretanto, quando as UFs são classificadas por renda, o grupo de renda baixa, apresenta em
média o maior ganho de receita, indicando que a adoção do princípio do destino pode apresentar
efeitos de equalização fiscal, contribuindo para mitigar a desigualdade regional.