Privatização imobiliária: uma análise do plano nacional de alienação conduzido pela Secretaria do Patrimônio da União, no período de 2019 a 2022
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Escola Nacional de Administração Pública - Enap
Resumo
A União, ente federal brasileiro, acumulou um portfólio de imóveis significativo, que vem servindo
a inúmeros objetivos, como o uso em serviço público e a consecução de políticas públicas como
a de infraestrutura, a ambiental e a de provimento habitacional. Ocorre que ele chegou a cerca
de 700 mil imóveis em 2018, avaliado em mais de R$ 1,0 trilhão, fato que chamou atenção do
Governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) para o seu uso em uma estratégia de privatização na
tentativa de reduzir a dívida pública, os custos dos imóveis inutilizados e o abandono. Para isso
foi criado o Plano Nacional de Alienações de imóveis da União, conduzido pela Secretaria do
Patrimônio da União - SPU, que tinha como meta arrecadar R$ 110 bilhões até 2022. Durante a
implementação dessa política pública foram realizadas inúmeras inovações, como a criação de
portais de vendas, aplicativos, regimes especiais de governança e alterações legislativas, como
a Proposta de Aquisição de Imóveis, que permitia a identificação da demanda de mercando a
partir da manifestação dos interessados na compra. Todavia, inúmeras fragilidades foram
encontradas, como a baixa capacidade operacional da SPU para realizar alienações em escala,
as inconsistências cadastrais e a irregularidade patrimonial do portfólio. Dois problemas se
destacaram: a falta de critérios de seleção de imóveis, que exige um trabalho de inteligência
patrimonial para averiguar a possibilidade de aplicação em outras políticas públicas antes de
decidir pela alienação; e a má compreensão da parcela inalienável ou de difícil privatização do
portfólio, que foi subestimada para atingimento das metas estipuladas. O resultado foi que a SPU
alienou apenas 985 imóveis, arrecadando cerca de R$ 1,0 bilhão, valor mais de cem vezes menor
que a meta.