Entre o centro-oeste e o mar: educação ambiental popular na construção de políticas públicas
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Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
Resumo
Este caderno diz que a formulação de políticas públicas voltadas para a Educação Ambiental é um processo complexo que
envolve múltiplos atores sociais, abordagens pedagógicas diversas e diferentes concepções sobre a
relação entre sociedade e meio ambiente. De modo geral, as políticas públicas de Educação Ambiental
no Brasil ganharam relevância e vêm sendo capilarizadas desde a instituição da Política Nacional de
Educação Ambiental (PNEA), pela lei federal nº 9795/1999, que deve ser pautada, entre outras coisas,
a responsabilidade compartilhada entre poder público e sociedade, bem como o dever dos entes
federados em construir suas políticas. A Educação Ambiental brasileira tem sido influenciada por
perspectivas populares que, por sua vez, são críticas e enfatizam a participação ativa das comunidades
e a valorização dos saberes locais. Nesse contexto, este estudo investiga como os princípios da
Educação Popular se manifestam na formulação e implementação da Política Estadual de Educação
Ambiental de Mato Grosso do Sul (PEEA-MS) e do Projeto Político Pedagógico da Zona Costeira e
Marinha (PPPZCM), evidenciando desafios e potencialidades na construção de políticas públicas
ambientalmente e socialmente justas. A metodologia adotada é qualitativa, baseada na análise
documental e entrevistas com participantes dos processos de construção de ambas as políticas. Os
resultados indicam que o PPPZCM adotou metodologias participativas, valorizando saberes tradicionais
e científicos, enquanto a PEEA-MS apresentou limitações na democratização do processo. As
discussões destacam a necessidade de fortalecer a participação social, integrar conhecimentos
diversos e garantir processos educativos emancipatórios. Conclui-se que a consolidação da Educação
Ambiental Popular é essencial para a construção de políticas públicas mais justas e eficazes,
promovendo cidadania ativa e sustentabilidade socioambiental. Assim, a articulação entre educação,
governança multinível e policêntrica e a participação social se mostram fundamentais para enfrentar
os desafios ambientais contemporâneos.