Cidadania e civilização tecnológica: a mudança de quadros conceptuais em formação e educação
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Escola Nacional de Administração Pública (ENAP)
Revista do Serviço Público (RSP)
Revista do Serviço Público (RSP)
Resumo
O modelo conceptual e prático com que, durante séculos, a nossa civilização
se regeu era inseparável da distinção entre “ciência” e “técnica”. O momento em
que nos encontramos, momento em que, por um lado, “ciência” e “técnica” vieram
a constituir uma unidade indissolúvel e em que, por outro lado (que é, talvez,
apenas um outro aspecto do mesmo acontecimento), tal unidade fez com que a
civilização deixasse de ser “nossa” e se tornasse global, obriga necessariamente a
repensar os tópoi da “ciência” e da “técnica” e da nossa relação com elas.
Ciência e técnica, com os seus papéis diferentes, tinham também “tempos”
diferentes. Aliás, e porque se trata de repensar os tópoi da ciência e da técnica,
é preciso ter em conta que o tópos não é, em grego clássico, um conceito meramente
espacial, mas sim um conceito “eco-lógico”. O tópos de uma coisa é o seu
“lugar” de implantação na existência, isto é, num espaço/tempo do todo do
mundo. O tópos é um conceito “eco-lógico”, porque assinala que o logos de uma
coisa, a sua razão de ser, coloca-a num “lugar” espaço/temporal que lhe é próprio,
a sua “casa-no-mundo” (oikos).