GOVERNANÇA PÚBLICA E GESTÃO DE PESSOAS NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA FEDERAL: O MODELO REFERENCIAL DO CICLO LABORAL COMO MECANISMO DE INTEGRAÇÃO ESTRATÉGICA
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Resumo
Esta dissertação analisa a governança da política de gestão de pessoas no Poder Executivo
Federal a partir do Modelo Referencial do Ciclo Laboral (MRCL), tomando-o como
chave analítica para compreender e enfrentar a fragmentação histórica do Sistema de
Pessoal Civil da Administração Federal (SIPEC). Parte-se do diagnóstico de que a
trajetória da gestão de pessoas no serviço público federal foi marcada pela expansão
normativa, pela incorporação incremental de instrumentos administrativos, gerenciais e
digitais e pela consolidação de mecanismos de controle, sem que esse processo
produzisse, na mesma proporção, uma arquitetura decisória capaz de integrar
planejamento da força de trabalho, carreiras, desenvolvimento, desempenho,
remuneração e desligamento em perspectiva sistêmica e intertemporal. O problema de
pesquisa consiste em examinar em que medida a estruturação da governança do Ciclo
Laboral pode contribuir para superar a fragmentação da política de gestão de pessoas e
fortalecer a capacidade estatal no Poder Executivo Federal. O objetivo geral é analisar a
governança como transversalidade estruturante do Ciclo Laboral e propor modelo
decisório compatível com a estrutura institucional do SIPEC. Metodologicamente, a
pesquisa é qualitativa, aplicada e analítico-propositiva, orientada a problema público
concreto. O material empírico foi construído a partir de oficinas técnicas realizadas no
âmbito da Secretaria de Gestão de Pessoas, com uso de instrumentos como árvore de
problemas, matriz de transversalidades, pesquisa de maturidade e análise documental de
normativos, documentos institucionais e diagnósticos nacionais e internacionais. A
interpretação dos achados foi ancorada em referenciais de capacidades estatais,
governança pública, policy design, instrumentos de ação pública e Planejamento
Estratégico Situacional, especialmente a partir de Carlos Matus. Os resultados indicam
que o núcleo do problema da gestão de pessoas no Executivo Federal não reside na
ausência de instrumentos, mas na fragilidade de mecanismos capazes de coordená-los sob
lógica estratégica e longitudinal. A dissertação demonstra que o MRCL permite
reorganizar a leitura da política de pessoal a partir da trajetória funcional do servidor e
explicitar interdependências entre suas dimensões e transversalidades estruturantes. Com
base nisso, propõe-se um modelo de governança do SIPEC ancorado no Ciclo Laboral,
orientado pela metacoordenação interdimensional, pela explicitação de impactos
sistêmicos como requisito de instrução decisória e pela articulação entre direção
estratégica, evidências, normatividade, infraestrutura digital e diálogo institucional.
Conclui-se que o fortalecimento da transversalidade de governança constitui condição
necessária para converter a densidade normativa e instrumental acumulada em capacidade
estatal efetiva, conferindo maior coerência, integração e sustentabilidade à política de
gestão de pessoas no Executivo Federal.