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Considerações sôbre o problema imigratório

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Escola Nacional de Administração Pública (Enap)

Resumo

Escrito em 1945, por Carlos Dodsworth Machado, o texto versa sobre o fenômeno da imigração em massa para o Brasil num momento da história em que existiam não somente demanda no mercado de trabalho brasileiro por mão de obra, como também a esperança de uma nova era econômica, algo que justificava a abertura do país à vinda de estrangeiros. Escrito há quase 70 anos, o artigo causa impacto pelo fato de retratar uma realidade do século XX bastante similar ao drama vivido pelo Estado contemporâneo, ressalvados, obviamente, o contexto e as proporções. Desta vez, os rostos europeus, árabes e nipônicos são substituídos por imigrantes de origem africana (especialmente vindos de países como Gana, Senegal, Nigéria, Cabo Verde e Angola), sul-americana (peruanos, bolivianos, paraguaios em sua maioria), chinesa e sul-coreana, bem como vindos da América Central, haja vista a imigração massiva de haitianos para estados como Acre, São Paulo e Paraná. Grande parte dessa imigração recente é feita de maneira ilegal. Fugindo da pobreza ou de conflitos bélicos em seus países, muitos imigrantes apresentam mão de obra pouco qualificada, o que os torna vítimas de condições de trabalho precárias. O texto de Machado atesta que o Brasil se ressentia da ausência de uma organização administrativa capaz de arcar com as responsabilidades que acompanhavam a ampla introdução de imigrantes no país. Por isso, o autor ressalta a importância da presença de instituições e normas acautelatórias para a chegada desses imigrantes. Todavia, cabe destacar que, para Machado, era preciso saber aproveitar essa leva imigratória como trunfo rumo à tão sonhada prosperidade brasileira.

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