Reforma trabalhista de 2017 no Brasil: aspectos de interesse para a saúde do trabalhador
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Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
Resumo
O presente artigo traz uma reflexão sobre a influência dos ciclos de crescimento
econômico no comportamento do mundo do trabalho e nas relações entre trabalho, saúde e
doença. Busca ainda apontar as raízes da Reforma Trabalhista aprovada em 2017 no Brasil, as
alterações de maior relevância na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), suas possíveis
consequências e efeitos na saúde do trabalhador. As alterações foram agrupadas nas
categorias contrato de trabalho, jornada de trabalho, saúde e higiene, negociado e legislado,
remuneração e organização sindical que foram avaliadas separadamente. As potenciais
consequências provenientes das alterações da CLT dentro das categorias, apresentaram grande
semelhança. Destacam-se insegurança quanto a permanência no trabalho, instabilidade
financeira, diminuição da remuneração, aumento da jornada de trabalho, elevada rotatividade
da mão de obra, dificuldade da manutenção da identidade laboral e da criação de vínculos no
ambiente de trabalho, maior exposição a agentes nocivos à saúde, desgaste físico e mental e
dificuldades do trabalhador na organização e utilização do seu tempo. Essas consequências
podem provocar mudanças significativas no perfil de saúde do trabalhador brasileiro.