Covid-19 e o transporte público: uma agenda para os municípios brasileiros
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Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
Resumo
Ao atuar como eixo fundamental no acesso da população
(preferencialmente a mais vulnerável) às instalações de
saúde, o transporte público deve ser alvo de ações do poder
público que garantam a prestação continuada de seus
serviços durante o período da pandemia. Atualmente essa
garantia sofre ameaças, na medida em que os operadores do
setor (municípios que o ofertam diretamente ou empresas
de ônibus que obtiveram a delegação de sua prestação)
encontram dificuldades para manter suas atividades, dada
a queda brusca na demanda pelo serviço. Adicionalmente,
fatores de ordem técnica constituem ameaça para a
resiliência do sistema, uma vez que ações que possam
contribuir para a mitigação do contágio no interior dos
veículos e suas estações (como o fornecimento de álcool em
gel, desinfecções periódicas, abertura das janelas e limitação
da quantidade de passageiros) envolvem o aumento do
custo operacional e ainda não foram plenamente adotadas
pelos operadores ou definidos por seus órgãos reguladores.
Este estudo investiga tanto a capacidade de manutenção do
sistema via identificação de uma tarifa que torne a operação
viável sob o ponto de vista financeiro quanto a adoção de
políticas públicas que garantam a função social do setor no
período da pandemia: o acesso da população vulnerável a
estabelecimentos de saúde com minimização do risco de
contágio durante o seu deslocamento.