Revista do Serviço Público (RSP), vol. 69, n. 2.
Carregando...
Data
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
O avanço da governança do setor público guarda uma relação direta com a
perspectiva de maior inclusão dos diversos agentes sociais nas políticas públicas,
por um lado, e o desenvolvimento institucional que assegure maior controle,
eficiência e efetividade das políticas. Estabelecer mecanismos de fiscalização que
aprimorem a transparência e a eficiência das políticas, a maior inclusão dos agentes
e transformações gerenciais que sejam mais resilientes para o enfrentamento de
crises e problemas públicos desafiam a gestão pública.
Este número da Revista do Serviço Público traz dentre seus artigos diversas
análises sobre estas questões. O ponto comum a todas elas é que precisamos ir além
dos mecanismos gerenciais. É necessário um trabalho de maior fôlego que considere
esses mecanismos gerenciais inseridos em diversas conjunturas e problemas,
sejam eles sociais, políticos ou econômicos. Aprimorar estes mecanismos inseridos
na sociedade é o que possibilita avançarmos em uma perspectiva mais sólida de
governança do setor público. Isso implica em pensarmos instituições inovadoras,
um trabalho multinível e que demanda estruturas de coordenação política e a
orientação por um interesse público difuso.
Os desafios colocados e presentes nos artigos publicados nesse número
elaboram diferentes perspectivas por meio das quais a governança pode avançar
no Brasil. E a difusão de conhecimento é aspecto chave nesse processo, fazendo
convergir teoria e prática, disseminação de evidências e análises sólidas sobre a
realidade de governos.
Os dois primeiros artigos tratam de temas relevantes e candentes para a gestão
pública. A promoção de ações afirmativas, como o ingresso de negros no ensino
superior, e problemas transversais de políticas públicas, como o caso de políticas de
gênero, demandam de gestores públicos processos criativos para a maior inclusão
social e política de atores relevantes. Promover a inclusão é um processo complexo
que exige a escuta e a interlocução permanentes.
Da mesma forma, a governança depende de inovações com o uso de tecnologias
para prover e ampliar novos padrões de comunicação entre a burocracia e os
cidadãos. O investimento em instrumentos de e-government podem representar
soluções simples e motivadoras de um novo padrão de interação entre cidadãos
e estados. Iniciativas de Mobile Government trazem o aspecto da simplificação,
redesenho de processos e flexibilidade. Avaliar esses mecanismos é fundamental
para o aprimoramento destas ferramentas e para o redesenho de serviços públicos.
Outro aspecto relevante é o gerenciamento de crises e problemas relacionados a
migrações internacionais. Os artigos que, respectivamente, analisam essas questões
trazem para o centro do debate os problemas relacionados ao enfrentamento de
crises e a constituição de soluções que extrapolem o cotidiano da gestão. Como
gestores públicos lidam com crises e como podem constituir soluções para elas
desafiam os processos de gestão.
Por fim, é necessário pensarmos os mecanismos de gestão. Gerir pessoas,
alinhar competências e fazer com que as organizações sejam capazes de promover
o melhor das pessoas não é um assunto trivial. Representa ganhos de eficiência e
efetividade, desde que pessoas estejam mobilizadas e que a gestão pública seja
capaz de ativar suas capacidades. Associado a isso, institucionalizar práticas de
fiscalização e controle são essenciais para o desenvolvimento, de forma a assegurar
mecanismos sólidos de integridade e accountability.
O conjunto de problemas e questões levantadas nas páginas da Revista do
Serviço Público promovem conhecimento avançado sobre os diversos desafios da
gestão pública no Brasil. Sem fazer avançar o conhecimento, corre-se o risco de
neutralizar avanços ou promover retrocessos para o enfrentamento concreto de
problemas da sociedade brasileira.
Fernando Filgueiras
Editor-Chefe da Revista do Serviço Público