XII Prêmio SOF de monografias, 3º lugar: Estratégias de integração e coordenação governamental: propostas para superar os desafios inerentes à implementação do investimento público em infraestrutura no Brasil
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Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
XII Prêmio SOF de Monografias
XII Prêmio SOF de Monografias
Resumo
O Brasil investe pouco em infraestrutura, e de forma desbalanceada, sem contemplar as necessidades
sociais e econômicas do país. As taxas de investimento em relação ao PIB são baixas e insuficientes
para manter a estrutura existente e atender novas demandas, inclusive em comparação com outras
economias emergentes. A heterogeneidade do Brasil, acentuada pelas diferenças inter e intra
regionais, tem evidenciado desafios e disfunções do modelo de repartição de competências inerentes
ao Estado federado brasileiro, mais precisamente quanto à implementação de políticas públicas. Em
relação ao setor de infraestrutura, as diferentes capacidades de ordem financeira, administrativa e
operacional dos entes subnacionais têm dificultado o avanço na implementação do investimento
público, exigindo estruturas institucionais mais robustas, complexas e com maior capacidade de
promover a coordenação federativa e o financiamento compartilhado das ações. O contexto de
restrição fiscal persistente nos últimos anos tem diminuído o aporte de recursos públicos, fazendo
com que diferentes esferas de governo tenham se voltado à adoção de medidas para promoção de
um ambiente de negócios propício ao ingresso de investimentos privados. Diante desse cenário, o
objetivo do presente trabalho consiste em propor melhorias ao modelo brasileiro de investimento
público da infraestrutura, principalmente na relação com os entes subnacionais quando estes são os
titulares dos serviços. Levou-se em conta as lições aprendidas em ciclos anteriores de forte atuação
estatal juntamente com a adoção de ferramentas e das melhores práticas utilizadas para potencializar
o investimento privado. Tem-se como premissa a articulação de mecanismos de governança e de
coordenação federativa ao planejamento integrado de longo prazo com foco em resultados. Também
são consideradas práticas mais adequadas de gestão do orçamento e de desenvolvimento da fase
de pré-investimento. Para tanto, são propostas recomendações práticas organizadas em três eixos
de aperfeiçoamentos, sendo o primeiro voltado à melhoria institucional da estrutura de governança
existente; o segundo com foco no planejamento institucional integrado considerando a participação
de múltiplos atores e a devida vinculação com a execução orçamentária; e o terceiro relacionada a
mecanismos para aprimoramento de todo o ciclo de preparação, financiamento e implementação de
projetos estruturantes de infraestrutura. Para alcançar o objetivo proposto, optou-se por desenvolver
uma pesquisa de caráter qualitativo, do tipo explicativa e propositiva e de natureza aplicada.
Consiste em um estudo prático focado na realidade brasileira, sustentado pela revisão da literatura
em associação à a análise documental. Em complementação, algumas análises apresentadas tiveram
por base a experiência prática de mais de quinze anos na gestão de políticas públicas no setor de
infraestrutura urbana, bem como o acompanhamento das discussões técnicas conduzidas no âmbito
do Comitê Interministerial de Infraestrutura CIP-Infra. As lições aprendidas com a experiência de
transferências de recursos da União para o financiamento dos empreendimentos em infraestrutura
pelos entes subnacionais indicam que um novo ciclo de investimentos públicos requer maior
dedicação às etapas de pré-investimento, incluindo o apoio técnico a municípios em todas as etapas
de concepção, implementação, monitoramento e avaliação dos empreendimentos