Liderança em transformação: influência dos paradigmas individualista e coletivista na evolução teórica e seus reflexos na governança estratégica da força aérea brasileira
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Resumo
A presente dissertação investiga como a evolução das teorias de liderança, sob as perspectivas
dos paradigmas individualista e coletivista, se reflete nas práticas de liderança no contexto da
governança estratégica do Estado-Maior da Aeronáutica (EMAER). Fundamentada na
constatação de que liderança e governança são campos interdependentes, mas raramente
analisados em conjunto, a pesquisa buscou compreender a influência histórica, conceitual e
prática das abordagens teóricas de liderança sobre a governança organizacional de uma
instituição militar. O trabalho apresenta uma revisão abrangente da evolução das teorias de
liderança, desde as primeiras abordagens até modelos contemporâneos, relacionando-as aos
paradigmas individualista (foco no líder único e em atributos pessoais) e coletivista (valorização
da participação e do papel dos seguidores). A metodologia adota abordagem mista, combinando
análise documental, 11 entrevistas semiestruturadas com oficiais-generais (líderes formais) e
questionário aplicado a oficiais envolvidos nos processos de governança do EMAER
(seguidores). As entrevistas foram tratadas por análise de discurso temática baseada em 22
construtos relacionados ao individualismo e coletivismo, enquanto as respostas ao questionário
foram avaliadas em escala Likert, permitindo triangulação dos dados. Os resultados revelam
predominância de percepções alinhadas ao paradigma coletivista, indicando valorização de
práticas de liderança horizontalizadas, comunicação aberta e participação ampliada dos
seguidores nos processos decisórios. Contudo, elementos individualistas mantêm-se em áreas
que demandam centralização e decisão rápida, devido à natureza hierárquica e operacional da
instituição. As conclusões indicam que a governança estratégica do EMAER combina
características de ambos os paradigmas, mas demonstra tendência para práticas coletivistas,
acompanhando as teorias de liderança mais modernas.