A burocracia federal brasileira e o sincretismo de relações estado- sociedade: o caso dos especialistas em políticas públicas e gestão governamental
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Associação Nacional dos Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (ANESP)
Resumo
O artigo busca analisar a carreira de Especialista em Políticas Públicas e Gestão
Governamental – criada em 1989, mas consolidada apenas com o Plano Diretor da Reforma
do Aparelho do Estado em 1995 - de forma a identificar a lógica de relacionamento e
circulação destes gestores públicos na máquina estatal, as trajetórias dos diferentes perfis de
indivíduos na burocracia estatal e os desafios que se apresentam para o desenvolvimento da
carreira. Para tal vale-se, dentre outros autores, da tipologia exposta por Nunes (2004) na qual
identifica diferentes lógicas políticas concorrentes no país – universalismo de procedimentos,
clientelismo, corporativismo e insulamento burocrático. Para consecução dos objetivos do
estudo realizou-se pesquisa de campo por meio de entrevistas semi-estruturadas com
integrantes e ex-integrantes da carreira atuantes em diversos Ministérios da Administração
Federal. As conclusões enfatizam o ecletismo da carreira, capaz de prover à Administração
tanto técnicos quanto técnicos-políticos, tanto especialistas quanto generalistas, tanto
funcionários para os altos escalões quanto para os intermediários, ainda que, neste percurso,
alguns sejam sacrificados em prol de uma necessária legitimidade frente à sociedade e aos
próprios gestores. Também chama a atenção para a necessidade de consideração de diferentes
lógicas de relacionamento entre Estado e sociedade caso se queira obter resultados
satisfatórios a partir do modelo de carreira implantado em um contexto sincrético como é o
brasileiro. Por fim salienta que, ainda que haja uma busca pela adoção de uma única lógica
que “organizasse” o caos que é a estruturação da burocracia pública, a “desorganização” que
mistura diferentes lógicas de troca parece atender melhor do que um suposto modelo único.