Accountability e governança do trabalho jornalístico: como a cooperação entre jornalistas no setor público aprimora a prestação de contas do executivo federal
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Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
Resumo
Num livro publicado oito anos depois de deixar o Governo Federal, onde atuara como presidente da Radiobrás, Eugênio Bucci, um dos jornalistas de mídia impressa mais respeitados do Brasil, apresentou uma crítica particularmente incisiva à comunicação pública: Em nenhum momento da vida nacional a comunicação oficial esteve a serviço da inclusão, da transparência e do compartilhamento dos negócios públicos com a sociedade. A finalidade dessa comunicação tem sido puramente ocultar as mazelas e fazer o marketing pessoal ou partidário de quem manda (Bucci, 2015, p. 96). Há exagero na observação porque, mesmo nos governos mais personalistas, algo da comunicação governamental necessariamente serve ao interesse público – /há determinações legais cujo cumprimento já se incorporou à rotina do Estado. Mas, se nem toda a comunicação pública cede a isso, é inegável que dar visibilidade positiva aos políticos e esconder erros ou escândalos parece com frequência ser o trabalho principal dos profissionais de comunicação que atuam nos poderes da República, em especial no Executivo. A tese central de Bucci é a de que a comunicação pública foca, narcisicamente, na liderança política, desperdiçando recursos que poderiam ser utilizados para a disseminação de informação relevante para a formação de cidadania. Esta pesquisa recorre a uma delimitação de objeto e a um conjunto de metodologias de investigação para compreender melhor o problema apontado por Bucci – e sugerir respostas a ele. Compartilho com Bucci da premissa de que o jornalismo, quando realizado com autonomia e profissionalismo (o que é bastante raro no Brasil), é um discurso relevante para o fortalecimento dos regimes democráticos 1; partindo daí, este estudo analisará o trabalho dos jornalistas que atuam como assessores de imprensa ou comunicação no Governo Federal2, com vistas a propor mecanismos que contribuam para otimizar o trabalho desses profissionais nas relações de accountability entre o Executivo e a sociedade.