XI Prêmio SOF de monografias, 1º menção honrosa: Regras fiscais, rigidez orçamentária e efeitos alocativos: uma avaliação dos impactos sobre os investimentos municipais brasileiros
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Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
XI Prêmio SOF de Monografias
XI Prêmio SOF de Monografias
Resumo
As regras fiscais são instrumentos importantes para controle das contas
públicas, apoiando a credibilidade, a disciplina e a sustentabilidade fiscal.
A experiência internacional mostra que países que adotaram regras fiscais,
em especial aquelas que fixaram limites para o gasto, tiveram resultados
positivos. Entretanto, uma das críticas ao uso das regras fiscais,
particularmente àquelas que limitam gastos públicos, é o fato de
contribuírem com o risco de serem priorizadas despesas não tão
agregadoras sob o ponto de vista econômico ou social e, mais
especificamente, seu possível impacto negativo sobre os investimentos
públicos. O trabalho tem como objetivo avaliar o impacto da realidade
fiscal municipal sobre os investimentos públicos locais. A parte inicial do
estudo introduz conceitos de regras fiscais, razões e objetivos porque são
criadas, os tipos de regras fiscais, suas vantagens e desvantagens, além de
aspectos importantes como transparência e prazo longo de existência para
sua validação. Na sequência, são abordadas as principais regras fiscais
existentes no Brasil, em que tipo se enquadram, conceituação, objetivos,
abrangência, normativos em que estão embasadas e comentários quanto
ao alcance de seus objetivos. Esse aprofundamento no regramento fiscal
nacional permite observar que não existe uma regra fiscal formal de limite
de gastos no âmbito dos Municípios. Entretanto, a realidade fiscal dos
municípios brasileiros cria um ambiente onde é possível avaliar
empiricamente questionamentos importantes relacionados a um regime
de limitação de gastos, mesmo sem estarem sujeitos a tal regra fiscal. Em
virtude de sua alta dependência de recursos de transferências
provenientes da União e dos Estados e de sua insuficiente capacidade
arrecadatória, é possível considerar que parte de suas despesas estejam
circunscritas a um limite exógeno estabelecido pelas transferências
governamentais, que funcionariam como uma espécie de “teto” para os
gastos municipais. Por outro lado, por possuírem receitas próprias, mesmo
que pouco significativas, torna-se possível analisar o impacto dessa
“flexibilização” da restrição de gastos sobre os investimentos. Para atingir
o objetivo de avaliar o impacto alocativo dessa situação nos investimentos
públicos locais, foi realizada uma avaliação de eficiência da capacidade
de investimento municipal, utilizando o Modelo Econométrico de Fronteira
Estocástica. Conjuntamente ao impacto da baixa capacidade
arrecadatória dos Municípios, foram analisadas outras variáveis fiscais,
econômicas e sociais, visto que também exercem influência nos
investimentos. O trabalho permite concluir que a limitação exógena de
gastos municipais decorrente das transferências não gera redução da sua
capacidade de investir, uma vez que os investimentos realizados
respondem mais intensamente a essa parcela limitada de recursos e não
àquelas derivadas de arrecadação tributária ou de receitas de operações
de crédito. O maior obstáculo à capacidade de realizar investimentos
públicos encontrado na análise é a rigidez orçamentária das despesas
obrigatórias, em sua maior parte concentradas nas despesas com pessoal.