3º lugar na categoria profissional: Análise da viabilidade financeira e risco de diferentes iniciativas de manejo florestal na Amazônia brasileira
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VII Prêmio Serviço Florestal Brasileiro em Estudos de Economia e Mercado Florestal
Resumo
O Brasil possui uma vasta extensão de florestas naturais e grande parte delas pertencem ao Estado, de
modo que caberá a ele a missão de ofertar madeira nativa para o mercado consumidor. Considerando
o manejo florestal como investimento financeiro, pouco se sabe a respeito da sua viabilidade. Assim,
o estudo apresentou como objetivo a análise de viabilidade financeira e risco de três investimentos
em manejo florestal, sendo eles: concessão estadual na FLOTA Paru, concessão federal na FLONA
Saracá-Taquera, e manejo florestal comunitário na FLONA Tapajós. Como metodologias, foram
adotados os métodos determinísticos de análise de investimentos Valor Presente Líquido (VPL),
Valor Anual Equivalente (VAE) e Custo Médio de Produção (CMPr), e simulação Monte Carlo para
a análise de risco. As concessões florestais estadual e federal foram consideradas investimentos
financeiramente inviáveis e com elevado risco, uma vez que a probabilidade de resultados satisfatórios
é baixa. Em contraposição, o manejo florestal comunitário apresentou viabilidade financeira e baixo
risco. No entanto, a viabilidade do manejo florestal comunitário foi dependente de recursos externos
e não computados no fluxo de caixa da atividade de manejo da FLONA Tapajós. Dentre os fatores
apontados pelas empresas para o mau desempenho financeiro, estão o elevado número de indivíduos
ocos e com pequenas dimensões, a má estimativa de volume nos procedimentos de inventário
florestal, e a alta ocorrência de espécies não comercializáveis. Foi identificada baixa produtividade
em todas as áreas analisadas, o que compromete de forma direta a rentabilidade do manejo florestal.
Caso operassem na máxima intensidade de corte, todas as Unidades de Manejo Florestal (UMFs)
estudadas apresentariam viabilidade financeira. A baixa produtividade das florestas é preocupante
ao considerar que o manejo florestal é projetado para se realizar em ciclos sucessivos em uma
mesma área, e as UMFs analisadas ainda estão manejando florestas em primeiro ciclo. Assim,
baixa produtividade e a inviabilidade financeira dos investimentos devem ser agravadas nos ciclos
futuros, em que os estoques de madeira comercial se tornam ainda mais incertos. Como conclusão,
o estudo aponta uma fragilidade nos aspectos financeiros das concessões florestais analisadas. A
baixa produtividade das áreas torna o manejo florestal inviável financeiramente, sendo um fator
preocupante ao projetar os ciclos futuros, e por esse motivo deve ser analisada de forma criteriosa
nos estudos que abordam o manejo florestal.