Gerenciamento da capacitação em rede: uma ação de co-responsabilidade
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II Congresso CONSAD de Gestão Pública
Resumo
Este trabalho relata a concepção e a prática do gerenciamento da capacitação em
rede, da perspectiva histórica à prospectiva, vivenciado na Presidência da
República-PR, onde a capacitação é direcionada à aprendizagem dos indivíduos e
da organização. A apresentação prima por ser realista e colocar o modelo teórico
como referencial da prática. Mostra os caminhos trilhados, as lições aprendidas e o
muito por fazer, reconhecendo as limitações próprias do tema, cuja natureza, mais
que técnica, é eminentemente política e cultural. São destacadas três iniciativas,
integradas e concomitantes: a desconcentração do processo de capacitação; a
gestão por competências e a constituição da rede de parcerias, desdobrada nas
sub-redes: parceria interna, parceria externa e relacionamento com os órgãos de
origem dos servidores. Essa arquitetura de rede exige permanente manutenção,
máxima organização, flexibilidade, objetividade, capacidade de diálogo e,
principalmente, participação e comprometimento de todos. Foram determinantes de
sucesso, na parceria interna, a delegação de competências e o enriquecimento, em
conteúdo e significado, das funções dos envolvidos, possibilitadas pela criação das
figuras do Agente de Gestão de Pessoas (AGP), nas unidades da PR e do Consultor
Interno de Relacionamento (CI), na Diretoria de Gestão de Pessoas (DIGEP), e pelo
investimento na mobilização, motivação e preparo dos atores, para atuarem como
articuladores nessa sub-rede. O Comitê de Gestão de Pessoas, composto pelos
AGPs, CIs e direção da DIGEP, constitui um espaço de diálogo e contribui na
legitimação da Diretoria como órgão de orientação, coordenação e supervisão
técnica e funcional do modelo. Também relevante, é a cooperação externa bilateral,
que configura a sub-rede de parcerias externas, sob o fundamento da confiança
recíproca entre as partes, o que potencializou recursos e renovou conteúdos e
práticas, revigorando o processo de capacitação. Igualmente importante, é a
interlocução e ação colaborativa com os órgãos de origem dos servidores em
exercício na PR, dando forma à terceira sub-rede. Uma análise crítico-reflexiva
pautada na revisitação a conceitos, fundamentos e formatos de trabalhos em rede
aplicados na gestão pública, levando em conta o contexto da PR, reafirma a
complexidade e desafios de um genuíno processo de rede. Contudo, somos
movidos pela determinação de continuarmos, por termos a convicção de que não há
outra forma de alcançar ou ao menos perseguir uma gestão de excelência. Trata-se
de uma prática inovadora, não só pela sua arquitetura, mas por sua implantação e
continuidade, no contexto da administração pública direta centralizada, ainda que
em passos lentos, porém firmes em seus propósitos.