Coalizões de defesa para uma nova política de desenvolvimento
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Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
Resumo
A análise aqui empreendida focaliza os processos
políticos e os atores coletivos (coalizões) empenhados
na mobilização de consensos que tornem vitoriosas as
políticas que defendem.
Para tanto, adotou um recorte significativo para investigar
e mapear os principais sistemas de crenças e coalizões
político-sociais presentes na sociedade brasileira, no
que respeita às políticas de desenvolvimento do país:
os conselheiros do Conselho de Desenvolvimento
Econômico e Social (CDES) da Presidência da República,
o “Conselhão”.
Criado pela Medida Provisória nº 103, de 2003, que
definiu o modelo político-organizacional do Governo
Lula, logo em seguida convertida na Lei nº 10.683/2003,
o CDES foi instituído com a missão de assessorar o
Presidente da República na formulação de políticas e
diretrizes específicas, voltadas ao desenvolvimento
econômico e social, apoiando-se na articulação das
relações de governo com representantes da sociedade
civil organizada e no concerto entre os diversos setores
da sociedade nele representados. Tapia (2007) destaca o papel de concertação social e
de coordenação estratégica do CDES, uma inovação na
tradição política brasileira que é, ao mesmo tempo, muito
coerente com o desenho institucional da Constituição
de 1988, com sua rede de instituições participativas de
controle social das políticas públicas e do Estado como
um todo. Segundo Tapia (2007), a história da consolidação
institucional do CDES, especialmente no processo de
elaboração da Agenda Nacional de Desenvolvimento,
entre 2004 e 2005, representou um experimento que criou
capacidades institucionais de negociação e consenso,
além de genuíno espaço público de diálogo social.
A escolha desse recorte de análise – o Conselhão – baseiase na tese do papel crucial que as elites desempenham no
desenvolvimento dos países (Amsden, 2012) e no conceito
de elites estratégicas como o grupos sociais que ocupam
posições decisivas em diferentes campos (econômico,
político, intelectual, do mundo do trabalho), por meio de
posição-chave nos processos de produção de políticas
públicas, formação e redefinição das instituições políticas
e definição da produtividade e da competitividade do
regime produtivo (Gaitán; Boschi, 2015).
Por meio da investigação do posicionamento desses
atores-chave, representativos da elite produtiva,
intelectual e política do país, busca-se alcançar um
diagnóstico esclarecedor sobre a realidade do debate
político e social com respeito aos desafios e rumos do
desenvolvimento do país.
Do ponto de vista teórico, a pesquisa se apoia na
combinação de duas abordagens, que se apresenta
a seguir: o referencial teórico das coalizões de defesa
(RCD) e a teoria neoelitista sobre o papel das elites no
desenvolvimento.
Com relação ao disputado e polissêmico conceito de
desenvolvimento, a pesquisa optou pela utilização, como
parâmetro da análise, dos Objetivos do Desenvolvimento
Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização
das Nações Unidas (ONU) em setembro de 2015, no
bojo do acordo global em torno da Agenda 2030 para o
Desenvolvimento Sustentável.1
Considerando a polissemia, sua longa história e o caráter
ainda hoje disputado do conceito de desenvolvimento (Rist,
2011; Rodrik, 2010; Leys, 1996), a incorporação dos ODS ao
arcabouço da pesquisa traz a vantagem de permitir operar
com uma concepção sobre desenvolvimento prevalecente
no mundo, que, além de avançar até o limite possível de
um conceito mundialmente pactuado, permite, por isso
mesmo, estabelecer comparações interpaíses, o que é
fundamental para o avanço de pesquisas comparativas.