Implicações da descoordenação entre as esferas federal e estadual na condução de políticas públicas de combate à pandemia da Covid-19 no Brasil
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Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
Resumo
O objetivo deste trabalho é investigar as potenciais consequências da
descoordenação entre as esferas federal e estadual na determinação das
medidas de combate à pandemia da COVID-19 no Brasil. A fim de identificá-las,
é aplicado o modelo SIR-macro proposto por Eichenbaum et al. (2020), em sua
forma completa, a cinco estados selecionados por Borelli e Góes (2020), a saber,
São Paulo (SP), Amazonas (AM), Ceará (CE), Rio de Janeiro (RJ) e Pernambuco
(PE). O modelo SIR-macro estende o modelo epidemiológico clássico SIR
(acrônimo para Suscetíveis, Infectados e Recuperados) proposto originalmente
por Kermack e McKendrick (1927), incorporando a ele a interação entre as
decisões econômicas e as taxas de infecção. Neste novo modelo estendido,
as decisões dos agentes em abrir mão de consumo e de horas de trabalho
reduzem, por um lado, a severidade da epidemia (medida em número total de
mortes), mas agravam, por outro lado, o tamanho da recessão econômica dela
resultante.