Sílvio Romero e a causa pública
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Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP)
Resumo
Respondendo ao inquérito de João do Rio, no “Momento Literário”, Silvio Romero dizia: “Conheci, sem esforço e para meu mal, que, se não sou ao pé da letra um cientista, não me cabe também a denominação de literato, no sentido restritivo que êste qualificativo teve entre nós. . . ” Na verdade, mesmo no início da carreira, quando rimou versos, Sílvio jamais fêz a literatura pela literatura; foi êle o protótipo daquilo que costumamos chamar hoje de escritor interessado, do homem que empenha nas letras outro ideal, além do puramente estético. No seu caso, êsse ideal era a compreensão, a explicação da realidade brasileira. Tudo, na vasta e variada obra de Sílvio Romero, tende para um só alvo: o Brasil, o Brasil como povo, como nação, como entidade político-social, como expressão de cultura e civilização. E é baseado em princípios e métodos científicos, tão impregnado se achava êle do cientificismo do fim do século 19, que procura sempre atingir essa meta. Assim, sem recairmos num juízo arbitrário, podemos dizer, por extensão, que a causa pública, no Brasil, teve, em Sílvio Romero um dos maiores servidores. Os objetivos por êle visados foram sempre o de bem servir o país, oferecendo, aos governantes e administradores, elementos para exercerem com acêrto as respectivas funções. Seu nome e a apreciação de
sua obra sob êsse aspecto se enquadra, pois, no espírito desta Revista que, aliás, não podia ficar alheia ao centenário do nascimento do grande brasileiro, ocorrido em 21 de abril. Num esforço de síntese, procuraremos distinguir no vasto labor cultural de Sílvio Romero, na intensa vida de ação em que êle se consumiu, o que significou uma contribuição para a causa pública,