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O Espírito científico de Mauá na trajetória do Banco do Brasil

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Escola Nacional de Administração Pública (ENAP)

Resumo

A Mauá não basta apenas o galardão de patrono da função pública dos transportes e de evangelista do progresso nacional — revela-lhe Santiago Fernandes substanciosas contribuições à teoria do desenvolvimento econômico e à crítica da economia política. Mostra o autor como Mauá criticara a teoria monetária clássica — que só concebe o dinheiro vinculado ao ouro — idéias que teriam causado a extinção do primeiro Banco do Brasil; examinava, em suas causas e efeitos, o barbarismo monetário da cunhagem de moedas de cobre (chen-chen); lançara luzes para a solução da controvérsia entre pluraridade e unidade emissora ("seria anacronismo — advertia Mauá em 1859 — pretender hoje medir a riqueza de um país pela quantidade de ouro ou de prata que nele circule... 0 meio circulante é o poder de adquirir;... o que importa que esse poder seja simbolizado por uma tira de papel ou por uma moeda de ouro?"). Conclui Santiago Fernandes com sugestão básica de que o Brasil, liderando as nações do Terceiro Mundo e dentro do espírito do discurso do Presidente Figueiredo na ONU, proponha a transformação do F.M.I. em "Câmara Mundial de Compensação ", no estilo de Keynes e na esteira das idéias de Mauá, a fim de eliminar a regalia danosa concedida ao dólar como "moeda de reserva". Essa reforma monetária no plano internacional seria acompanhada de paralelas reformas financeiras de âmbito nacional para substituição do juro por taxa módica de serviços bancários.

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