Implicações dos arranjos institucionais locais na qualidade da implementação de políticas públicas: o caso do Cadastro Único para programas sociais
Carregando...
Data
Autores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Escola Nacional de Administração Pública (Enap)
Resumo
Este trabalho busca compreender a relação existente entre os modelos de governança adotados por diferentes municípios na implementação do Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal e a qualidade deste instrumento. Parte-se do pressuposto de que a forma com que os municípios organizam a gestão para prestar este serviço pode trazer resultados variados na qualidade do Cadastro Único. Para tanto, a pesquisa investigou os arranjos de implementação em dois municípios de médio porte da região do semiárido pernambucano, que possuem características socioeconômicas e demográficas semelhantes, mas que apresentam variações na qualidade do Cadastro Único, a partir método de análise comparativa de pares contrafactuais. A partir dos dados coletados em pesquisa de campo por meio de entrevistas semiestruturadas com atores relevantes na implementação desta política, o estudo apresentou uma descrição dos elementos que compõem os arranjos de implementação do Cadastro Único em cada município. Sob a lente analítica da literatura de arranjos institucionais e com base nos estudos já realizados
sobre o Cadastro Único, realizou-se uma análise comparativa das variações dos arranjos de implementação encontrados e como os elementos desses arranjos podem explicar uma maior ou menor qualidade do Cadastro Único. A análise foi feita no âmbito de cinco dimensões: Modelo de Gestão e de Atendimento do Cadastro Único, Relações Federativas, Intersetorialidade e Participação Social. Confirmando a hipótese inicial, conclui-se que há elementos na forma com que os municípios organizam a gestão e o atendimento do Cadastro Único que podem gerar resultados mais ou menos positivos na implementação desta política. Nos municípios estudados, verificou-se que o modelo de gestão e de atendimento do Cadastro Único, notadamente no que tange à gestão de recursos humanos e de infraestrutura, é a dimensão que mais explica as diferenças da qualidade do Cadastro Único. A intersetorialidade, em que pese ser uma dimensão menos explicativa, também se constitui um elemento importante quando se verifica a adoção de arranjos que promovam a ação coletiva intersetorial no cotidiano da gestão do Cadastro Único.